sábado, 21 de março de 2015

Resenha n° 07 - E Não Sobrou Nenhum



Título: E Não Sobrou Nenhum

Autor: Agatha Christie

Editora: Globo Livros

Páginas: 400

Classificação: 5 estrelas e favoritado


Sinopse: E não sobrou nenhum - Maior sucesso de Agatha Christie e marco da literatura policial do século XX ganha nova edição. Uma das mais complexas tramas da autora: E não sobrou nenhum cativa e arrebata os leitores. Em meio a conflitos psicológicos e uma coleção de suspeitos, um criminoso escapa às garras da lei. No seu momento de maturidade literária, intensa criatividade e inventividade, Agatha Christie nos brinda com: E não sobrou nenhum, considerado o melhor livro de suspense de todos os tempos, uma pérola do romance policial. Uma trama urdida cuidadosamente onde nenhum detalhe está fora do lugar, com a construção de incríveis elementos: a ilha deserta e isolada, a grande mansão e principalmente o fato de todos os convidados serem mutuamente suspeitos. Com essa atmosfera a autora já abre inúmeras possibilidades para a evolução da trama, e este é um dos seus grandes trunfos utilizados com muita argúcia para enriquecer o enredo. Outro fator que atesta a importância e a força desta ambientação é que os elementos utilizados por Agatha Christie tornaram-se alguns dos lugares-comuns mais visitados de toda a ficção policial em filmes, seriados, novelas e até mesmo em jogos de tabuleiro. Outro aspecto explorado no romance é a exposição de facetas psicológicas dos personagens que ganham grande importância, pois é desta camada que vão surgindo alguns estados de loucura que são evidenciados em função do confinamento, do medo de ser a próxima vítima e da suspeita mútua de quem possa ser o assassino. Os supostos crimes cometidos vêm à tona, e ao longo do livro vão ganhando camadas e elucidando os motivos que unem personagens tão díspares. Culpados ou inocentes? Algozes ou vítimas? Nesse jogo de gato e rato identificar o assassino não é tarefa fácil e o leitor vai aventando possibilidades, perscrutando os personagens e mergulhando nesta trama onde culpa, arrependimento e loucura vão se confundindo. Lançado em 1939 E não sobrou nenhum quebrou as regras vigentes até então para o gênero policial e investigativo, porque em sua narrativa nenhum detetive soluciona o mistério e o criminoso escapa das garras da lei. A obra também foi adaptada para o cinema pelo diretor René Clair, em 1945, com o título O Vingador Invisível. Aclamado pelo público trata-se de uma aula de como elaborar um romance do gênero: apegado ao real, sem excessos, com personagens consistentes e fluidez. É sem dúvida um romance basilar do gênero. A autora Agatha Christie (1890-1976) é a mais famosa escritora de romances policiais do mundo, e uma das escritoras mais vendidas e traduzidas em todos os tempos. Durante praticamente cinquenta anos, a autora inglesa, considerada a Rainha do Crime, escreveu oitenta romances, várias coletâneas de contos e doze peças teatrais. 


Bom, primeiro vou situá-los sobre essa edição em que li. É uma reedição de um dos mais famosos livros da Agatha Christie, o livro mais conhecido como O Caso dos Dez Negrinhos, cuja edição na figura abaixo, foi a primeira em que li.



O Caso dos Dez Negrinhos foi publicado em 1939, no Reino Unido, o título criou uma certa polêmica ao chegar nos Estados Unidos, onde recebeu outro nome: Os Dez Indiozinhos (outra polêmica) o que acarretou na mudança para esse título E Não Sobrou Nenhum (particularmente não gostei desse título, quem já leu sabe o porquê). Essas polêmicas giraram em torno de racismo, o que não se configura por ser referência à cantiga de ninar que dá origem ao nome do livro.

Polêmicas a parte, vamos as minhas impressões sobre essa releitura.

Apesar de fazer muito tempo desde a última vez em que li esse livro, por sinal foram tantas que nem sei contabilizar o total, a cada página lida vinha uma sensação maravilhosa de rememorar a escrita de minha primeira e eterna escritora favorita, a mentora do gênero policial que tanto amo ler.

Optei por essa edição por estar disponibilizado no Kindle Unlimited, estilo de empréstimo de livros digitais, sempre que tenho a opção pela leitura em livro físico ou ebook, acabo por optar em ebook pela facilidade em aumentar a letra e ler a noite. 

Logo no inicio notei uma mudança em alguns aspectos nessa edição, mas acho que estou me precipitando. Vamos ao enredo primeiro.

Oito pessoas são convidadas a passar alguns dias em uma ilha onde havia uma certa especulação sobre quem seria o dono. Sendo que na ilha, já estão dois empregados para recebê-los. Somos apresentados a cada personagem e o narrador onipresente nos permite adentrar nos pensamentos mais íntimos de cada um e, nos mostra o quanto são suspeitos desde o início, ou seria somente por conta da releitura?

Depois de uma noite agradável em que todos se conhecem e jantam, surge uma voz acusando cada um dos presentes de ter cometido um assassinato, causando um pânico generalizado, pessoas tentando se justificar, provar sua inocência, ao que acontece a primeira morte.

Algumas horas se passam e após outras mortes, os hóspedes começam a associá-las com a canção de ninar que está em cima da lareira de cada quarto e, coincidentemente ou não, é seguida a risca, ao mesmo tempo em que as estátuas de soldadinhos (nessa edição) são quebradas, indicando as pessoas mortas.

Os hóspedes/suspeitos então passam a tentar se analisar mutuamente, de modo a descobrir quem seria o assassino, que só pode ser um dos presentes. O lado psicológico entra em cena, pois nenhum das supostas vítimas sabe ao menos quem é o assassino e muito menos quem será a próxima vítima.

O que você ainda está esperando e não foi procurar esse livro para ler? Corre.